Estamos reproduzindo a entrevista dada pelo senhor José Sola, presidente da “Instituição Beneficente José de Mocóca”, a revista sexto sentido que será publicada esses mês.
Uma entrevista bem esclarecedora para aqueles que desconhecem a Doutrina Espírita, principalmente sobre os temas “Causa e Efeito” e “reencarnação”.
As pessos que possuirem dúvidas sobre essa entrevista por favor nos direcionem suas questôes através do e-mail ” novaluz@osespiritas.org ” que encaminharemos para o entrevistado.
1-O que é Lei de Causa e Efeito?
A Lei de Causa e Efeito, é a Lei que define uma inteligência interagênte, antecedendo a todos os acontecimentos que se manifesta no universo, essa lei é o pensamento de Deus a manifestar-se na vida, nas suas mais variadas modalidades de ser.
É através da Lei de Causa e Efeito, que podemos provar a existência de Deus, pois se toda causa tem um efeito, somos forçados a inferir, que todo efeito inteligente há que ter uma causa inteligente, e a vida a manifestar-se no universo é inteligente.
Não acredito haja necessidade, mas para deixarmos bem clara a questão, analisemos a Terra que em seu movimento de rotação, perfaz o dia e a noite em vinte quatro horas, em seu movimento de translação orbitando o Sol em trezentos e sessenta e cinco dias e seis horas, fecha o ciclo completando o ano; é precisamente por não ser exato o fechamento da órbita da Terra em torno do Sol que criamos por convenção o ano bissexto, de quatro em quatro anos, com o vigésimo nono dia do mês de fevereiro, e este principio interagênte em ambos os movimentos, é mecânico, preciso, exato, não se alternam, nem o numero de horas, tampouco o numero de dias do ano.
Em nos analisando a nós mesmos, nos apercebemos ser uma maquina perfeitamente sincronizada, em que todos os nossos órgãos funcionam em uma sincronia harmônica, perfeita, quando um desses órgãos é afetado todo o sistema se sente prejudicado.
Necessitamos porventura pensar para que nosso coração bata de oitenta a cento e vinte vezes por minuto? Para que os rins realizem a função de filtrar nosso sangue, etc.?
E o nosso sistema endócrino, como explicar a especificidade de funcionamento?
Quando o organismo esta escasso de hormônio tireoideano, envia uma mensagem nervosa ao hipotálamo, este por sua vez a envia a hipófise, que de imediato, transforma esta mensagem nervosa em uma mensagem química abastecendo a tireóide com o hormônio tireotrófico.
E o mais interessante é precisamente a especificidade deste hormônio, que segregado vai percorrer o organismo, por via sanguínea, sensibilizando apenas a glândula da tireóide, não sendo assimilado por nenhuma outra glândula do sistema.
Esta inteligência que nos foge ao domínio, seja no que concerne ao movimento dos astros, atraídos uns pelos outros pela forca gravitacional, ou ainda ao mecanismo inteligente, preciso, especifico mesmo, que possibilita a desenvoltura da vida orgânica, é a causa, é Deus.
E por muito os ateístas tentem explicar a vida como uma casualidade, se demorarão sempre impossibilitados de fazê-lo, pois uma casualidade tenderia a manifestar-se de forma esporádica, entretanto a vida repete infinitas vezes esses e outros infinitos fenômenos, oferecendo-nos campo para a observação.
A vida não é uma abstração, é um fato (efeito) inteligente, se permite ser analisada, mensurada, estudada na causa que antecede os efeitos, pois não temos como aceitar um fenômeno acontecendo como uma casualidade, sem uma lei que o anteceda; quando vamos realizar uma experiência de química ou física, primeiro elaboramos a formula (lei), combinamos os elementos conforme a mesma, e transformamos um corpo químico em outro, ou definimos um elemento físico, como por exemplo: a definição da luz, pois esta, em tempos idos, era uma energia indefinida, entretanto aplicando as leis da física, descobrimos que a luz é composta por partículas, os fótons; conforme alguns cientistas ateístas, no universo acontece ao contrário, o fenômeno se manifesta do nada, gerando a seguir a causa.
Conforme Allan Kardec, todo efeito inteligente tem uma causa inteligente, e isto nos leva a deduzir que, se todo efeito inteligente tem uma causa inteligente, todo efeito que se manifesta na vida humana, nas mais variadas modalidades de sofrimentos e dores, tem como causa, nossa transgressão a Lei Divina, pois não existem efeitos sem causa.
A toda a ação por nós praticada, responde uma reação correspondente, seja na pratica do bem ou do mal, Deus nos concebe a vida, dota-nos de inteligência e amor, faculta-nos com o livre arbítrio, transformando-nos em construtores de nosso próprio destino, legando-nos o direito de agir conforme desejamos, nossa felicidade ou nossa desdita, é fruto de nossa própria elaboração.
Não entendendo a pluralidade das vidas sucessivas, a Lei de causa e efeito, ou ação e reação, a Justiça Divina fica comprometida, anulada mesmo, pois que justiça poderia haver da parte do Criador, com tantas diferenças sociais, físicas, morais, etc., alguns amigos religiosos alegam que é vontade de Deus, entretanto se fosse essa a Sua vontade, seria sádica, pois teria privilegiados e parias.
2-Quais são os ciclos da reencarnação?
Não existem ciclos para se reencarnar, a reencarnação depende de uma série de fatores, como o merecimento do espírito, à vontade, - pois temos o livre arbítrio, - e a necessidade de um espírito reencarnar depois de haver acordado para as realidades divinas, não existindo um tempo determinado pela Providencia Divina, para o retorno do espírito a matéria.
Existem reencarnações em que o espírito reencarnante a pede, por haver-se arrependido, e deseja progredir, outros casos em que o espírito havendo alcançado uma evolução maior, permanece por mais tempo na espiritualidade trabalhando, dentre muitos outros lembramos o Dr. Adolfo Bezerra de Menezes, e ainda aquelas entidades endurecidas, que cristalizam a mente e se demoram alguns deles, por cinco ou seis mil anos.
O espírito de André Luiz em seu livro “Libertação” psicografado pelo médium Francisco C. Xavier, quando desce as trevas junto com Gubio, em busca de Gregório um sacerdote das sombras, nos fala da existência desses espíritos.
Vemos nestes casos, que essas entidades fazendo uso de seu livre arbítrio, obliteram a consciência, não sentem remorsos nem dores, aguardando, contudo o limite maximo de maturação de suas potenciações, pois como vidas que somos, concebidas por Deus, acontecendo a partir de então, um cansaço, uma apatia, por essa vida infeliz em que nos projetamos, e então abrem-se a comporta de nossa consciência, e voltamos para a matéria, em condições tristes e precárias, é lógico.
Com esses espíritos sucede tal qual a um rio caudaloso, a que tentemos represar construindo uma comporta, sem vazão alguma, chega um momento em que a água se avoluma rompe a comporta, deixando marcas de destruição e ruína.
Nós espíritos, trazemos em potenciação no núcleo da alma, a inteligência e o amor, atributos que herdamos do Criador, essas potenciações tendem a maturar-se através do tempo, a esta maturação chamamos evolução, e como estamos fatalizados a felicidade e a luz, as “águas” da evolução rompem à comporta da consciência obliterada, levando-nos a desembocar em um berço na matéria, pois é preciso evoluir.
Não existem ciclos reencarnatórios, quem assim julgue, desconhece os mecanismos da Lei Divina, tanto quanto a misericórdia infinita de Deus, pois temos o livre arbítrio, somos os construtores de nosso próprio destino; somente existe uma fatalidade, a evolução, e, esta evolução a fazemos por caminhos mais variados e diversos, muitos deles tortuosos mesmo.
3- Para que e porque voltamos a este mundo?
Voltamos a este mundo por necessidade de evoluir, pois embora possamos evoluir também na espiritualidade, importa lembrar que é na Terra que iniciamos o processo evolutivo, principalmente no que concerne a evolução moral.
Esta duvida a temos por não compreendermos de que é na matéria que acontece o principio psíquico, pois muitos não aceitam a evolução anímica, mas não aceitando a evolução anímica, a Lei Divina fica comprometida em sua equidade, pois ao homem como recompensa das lutas, das dificuldades e dores, a evolução ao infinito, a felicidade eterna, e os animais que amam como amamos, são inteligentes, sofrem como sofremos, lhes esta reservada a condição de servirem eternamente de repasto a mesa do homem; se não aceitarmos a evolução anímica, nos demorando na crença de que Deus criou a vida, propondo diferentes princípios de criação, temos que admitir que existem privilegiados e parias, a Lei Divina somente se sustenta eqüitativa, justa e sábia se compreendermos um protótipo único, contido na substancia, que encerra em seu eterno vir a ser, as potenciações infinitas, na condição de psiquismo ou centelha divina.
A substancia é o elemento que encerra em seu núcleo a energia a matéria, e a centelha divina, pois matéria é energia em aceleração em velocidade, energia é matéria decomposta ou degradada, e a centelha divina ou o principio psíquico, que é o eu diretor, que assimila as vivenciações da substancia nas suas modalidades diferentes de ser, pois não houvesse um principio inteligente, e a evolução se tornaria impraticável.
Como visto voltar a este mundo é uma necessidade prioritária da evolução, voltam às plantas, voltam os animais e voltamos nós, somente deixaremos de voltar a este mundo reencarnados, quando houvermos feito nossa ascensão, nos libertando por completo da ascendência da matéria, então reencarnaremos apenas para uma missão.
Voltar a este mundo, é viver a divina oportunidade de aprendizado, é necessidade de transpormos como visto a barreira animal, para conquistarmos o direito de ingressar em um outro estágio da evolução.
4- Algumas críticas à teoria da reencarnação afirmam que ela leva a uma certa indolência ou acomodação, ou seja, que as pessoas podem “deixar para a próxima encarnação” qualquer projeto de elevação espiritual. Esse pensamento tem sentido?
Não para quem compreenda a importância e a finalidade da reencarnação,
pois a reencarnação tem como finalidade evoluir, e se desperdiçamos a oportunidade divina que nos é ofertada, estaremos dificultando nosso retorno a vida terrena de futuro, aconterá com eles o que acontece com o preguiçoso, deixa para fazer amanhã, e em muitas oportunidades acaba não fazendo.
Essa é a postura dos que não querem aceitar a reencarnação, mas não encontram argumentos lógicos e racionais para negá-la, pois ao contrário dessa afirmativa, a reencarnação é um meio propulsor da evolução, se tivéssemos uma vida única como o pretendem os teólogos de varias religiões a evolução seria impraticável.
Se nosso espírito fosse criado no ato da concepção, como o pretendem algumas religiões, a evolução não aconteceria, ou quando muito seria infinitamente lenta, pois um homem viveria até os noventa anos, neste período de existência haveria conquistado conhecimento em uma determinada matéria, desencarna e vai para o céu ou para o inferno para toda a eternidade, seus filhos trazendo a mente virgem sem conhecimento algum, lhe colheriam algumas informações, mas não teriam campo para avançar muito, pois a teoria da vida única determina ao ser, nascer sempre com a mente virgem, ou seja iniciar sempre da estaca zero.
Ao contrário a lei da reencarnação, possibilita ao espírito que havendo vivido suas experiências na terra, quando desencarna continue vivendo e aprimorando esta mesma experiência, e adquirindo outras, reencarna novamente, trazendo de volta seus conhecimentos adquiridos, evoluindo e propiciando a evolução da humanidade, e temos muitos relatos confirmados de crianças prodígio, que nascem com lembranças do passado; se os opositores da reencarnação disserem que essas recordações não tem nada a ver com a reencarnação, estarão comprometendo a Lei Divina, pois porque vivendo uma única vez na terra,
estaria Deus criando alguns seres privilegiados, mais inteligentes que outros.
Ao contrario do que afirmam os opositores, a reencarnação é a condição primeira da evolução, pois sem ela todos os demais fatores como, amor, sexo, inteligência, etc., se demorariam limitados, sendo que com a reencarnação compreendemos que a evolução vai ao infinito.
5-O esquecimento de encarnações anteriores ajuda ou atrapalha nossa vida atual?
O esquecimento das lembranças de nossas vidas anteriores nos auxilia em nossa caminhada evolutiva, primeiro porque se lembrássemos de nosso passado, a reencarnação perderia um dos motivos mais importantes de existir, pois não haveria esse interregno divino de uma reencarnação para outra, e não existiria a benção do recomeço, nos demoraríamos vivendo o remorso pelos atos infelizes que praticamos, carregaríamos lembranças desagradáveis, como aquelas que vivemos na juventude, ou como adultos mesmo, de nossa existência presente e que desejamos apagar da memória, muitas vezes sem o conseguir.
Segundo porque é através da benção do esquecimento, que encontramos as condições necessárias, para nos reconciliarmos com os nossos inimigos do passado.
Com a benção do esquecimento pelas portas benditas da reencarnação, recebemos em nossos braços como filhos extremados do coração, nossos verdugos ou vitimas do passado, não vendo nestes senão um ser tenro e pequenino, carente de nosso afeto e de nosso amor, e então o ódio e a vindita se extinguem ou se amainam, efetivando-se desta forma as palavras de Jesus quando nos disse que só o amor encobre a multidão de nossos pecados.
Alguns alegam que gostariam de lembrar as vidas anteriores, pois poderiam com isto modificar-se, melhorar-se, o que não deixa de ser uma utopia, pois soubéssemos que um familiar hoje querido, ou um amigo, nos atraiçoou nos destruiu a vida em uma outra reencarnação, o trucidaríamos ainda no berço, no ato da concepção.
Alguns teoricamente evoluídos alegam que se tivessem conhecimento de terem em sua família ou entre amigos, um inimigo de outrora, o perdoariam, pois se julgam capazes de perdoá-lo, é provável que um ou outro homem traga no presente esta virtude, mas não podemos nos esquecer que para chegar a este momento evolutivo, este virtuoso necessitou da benção do esquecimento em vidas anteriores, caso contrário não haveria apreendido a perdoar.
O esquecimento de nosso passado é uma benção divina, pois esquecendo nossos erros do passado, aproveitamos o presente para construir um futuro de paz e felicidade, a caminho da ascensão que nos esta reservada na eternidade.
6-Existe algum tipo de programação realizada pelo espírito no outro mundo? Os espíritos preparam sua próxima encarnação, por exemplo, escolhendo a família e as condições em que voltarão a este mundo?
Existem sim programações realizadas pelo espírito na espiritualidade, por incrível que pareça, existem programações por parte dos espíritos evoluídos, e também da parte dos espíritos ainda endurecidos.
As entidades infelizes que habitam as trevas constroem castelos ou casebres em regiões sombrias ou nebulosas, plasmadas por suas vibrações mentais negativas, traçam programas organizados de combate à verdade e ao bem, pois revoltadas contra a Providencia Divina, pretendem infantilmente suster o curso da evolução, entretanto sem que se apercebam, estão caminhando para a finalidade suprema da vida, a perfectibilidade, a luz e a manifestação do amor, que trazemos todos nós em potenciação no núcleo da alma, pois ninguém permanecerá nas trevas para a eternidade.
Nas obras de André Luiz, psicografadas por Francisco C. Xavier, e ultimamente em o livro “Esculpindo o Próprio Destino”, escrito pelo espírito de Lucius, através do médium André Luiz Ruiz somos informados, com detalhes mesmo, a respeito desta programação.
Os espíritos evoluídos e os superiores desenvolvem programas para a assistência às entidades ainda infelizes, para a assistência aos espíritos encarnados, e para a própria evolução.
Temos um exemplo claro da programação dos espíritos superiores, apresentado ainda pelo espírito de André Luiz em seu primeiro livro “Nosso Lar”, pois Nosso Lar é uma colônia construída por entidades evoluídas, colônia esta que oferece aos missionários da luz, condições de assistência às entidades sofredoras, esta colônia é projetada com hospitais, existindo também o bosque das águas, o campo da musica, etc., isto é projeto, é estudo, programação.
E quanto mais evoluídos forem os espíritos, mais programados, mais organizados se apresentam, pois conforme vamos assimilando melhor os designos do Criador, mais organizados nos tornaremos; basta apreciar a vida como manifestação de Deus no universo e, da programação divina que nela se manifesta como ordem, equilíbrio, inteligência e amor, pois a aparente desordem, aquilo a que chamamos de catástrofe, esta contida no contexto da ordem absoluta, como um instrumento de maturação de evolução da vida.
E quanto aos espíritos prepararem a sua reencarnação, depende muito da evolução em que este espírito se demore se for um espírito esclarecido, poderá programar sua reencarnação, escolhendo mesmo os pais com quem deseje reencarnar, pois já adquiriu méritos para isso, se for um espírito ainda infeliz, ignorante das verdades divinas, não terá esta condição, terá que submeter se ainda a lei de ação e reação, pois se comprometeu com a Lei Divina, em vidas anteriores quando prejudicou os seus semelhantes.
Existem espíritos que embora não sendo um espírito superior, não podendo programar sua própria reencarnação, mas já redimidos, propensos ao trabalho, desejosos de evoluir, recebem a benção da reencarnação programada, por amigos mais evoluídos, que o auxiliam em seu retorno a terra, encontramos uma orientação precisa e detalhada, da parte de André Luiz, em seu livro, “OS Missionários da Luz”, no capitulo da reencarnação de Segsmundo.
E espíritos que reencarnam através da reencarnação que chamamos de compulsória, nem sequer sabem que estão reencarnando, são atraídos para o corpo de matéria, por lei de afinidade, de sintonia, são comumente entidades, ainda envoltas pelo vicio, pelas paixões torpes.
Isto não quer dizer que não exista programação, pois não existem efeitos sem causa, todo efeito tem uma causa, entretanto esta programação foge, ao controle do espírito reencarnante, não estando tampouco sobe o controle dos espíritos superiores, mas esta inserida como um capitulo da Lei Divina, fazendo-se vigente no momento evolutivo desse espírito, o que não quer dizer que, iniciado o processo, eles não auxiliem o mesmo a reencarnar com êxito, pois a misericórdia de Deus é infinita.
7-Por que algumas pessoas reencarnam com deficiências e limitações?
Alguns espíritos reencarnam com deficiências e limitações, por haverem se desarmonizado com a Lei Divina, pois a vida como manifestação de Deus no universo, é harmônica, e quando adulteramos essa harmonia, temos que nos rearmonizar, e devolver a vida as suas condições naturais.
Alguns confrades alegam que reencarnamos com deficiências e limitações, para resgatar dividas, entretanto esta questão necessita ser melhormente esclarecida, pois se Deus nos cobra-se dividas, seria um mercenário, e o que é pior, nós só passamos a compreender que estamos pagando dividas, quando acordamos de maneira clara para a lógica e para a razão, pois a maioria da humanidade, irmãos nossos, adeptos de outras facções do Cristianismo, ignoram estejam pagando dividas, acreditam que estão sofrendo por vontade de Deus; não seria esta atitude do Criador, tal qual a um adulto que tirasse o pirulito da boca de uma criança, sem que ela saiba por quê?
Deus nos concebe a vida por amor, Onisciente e Onipresente, como o concebemos, nos estaria concebendo a vida, dotando-nos de inteligência e de amor, facultando-nos com o livre arbítrio, transformando-nos em construtores do próprio destino, e ciente de que no processo evolutivo que nos compete fazer para atingirmos a felicidade e a luz, estaríamos acertando e errando infinitas vezes; permitiria-nos o erro filho da ignorância, para cobrar-nos, a seguir, por momentos que estão contidos no mecanismo da evolução?
Fossem estas deficiências e limitações resgates de dividas como comumente o entendemos, a Lei Divina estaria equivocada em sua vigência, pois os animais sofrem, e alguns deles voltam para a vida material, com deficiências e limitações mesmo; o que estariam estes animais resgatando?
O homem quando acorda para a razão e para a lógica, age com conhecimento de causa, tendo responsabilidade pelos seus atos, mas o animal é dotado de instinto, age impulsionado pela Providencia Divina que o guia para a evolução, na necessidade de alimentar-se, de sobreviver; será que Deus cobra dividas aos animais?
Embora a dor, o sofrimento, nas suas mais variadas modalidades de ser, sejam meios para a nossa rearmonização com a Lei Divina, não podemos nos esquecer de que, a dor é o burel sublime de que se utiliza o Escultor supremo, para esculpir a vida, em toda sua beleza e esplendor. ´
Estará equívoca a falange do espírito de verdade quando usa a terminologia resgate de dívidas na codificação da doutrina espírita? Estarão equivocados, Leon Denis, Gabriel Dellane, Emmanuel, André Luiz e nós outros quando aplicamos esta terminologia?
Não, não estão eles equivocados, como não estamos equivocados nós outros, que aplicamos estes termos em nossas oratórias ou escritos. A economia da vida se faz manifestar em condições símiles com a economia social, no momento evolutivo em que nos demoramos.
Apreciando de forma aparteada a aplicação da Lei Divina, no capítulo da evolução em que nos demoramos, onde ainda não nos libertamos da influência da matéria, a analogia entre a economia divina em que a Providência se manifesta em amor e a economia social que se desenvolve pelos processos de débito e crédito, se confirma.
No entanto, numa apreciação de conjunto, não nos detendo apenas no momento evolutivo em que como homens nos demoramos como visto esta analogia perde sua razão de ser; mais propriamente dito, ela só se aplica com propriedade ao eu inteligente quando desperta para a razão como homem civilizado, até o momento em que este se libere das influências da matéria, libertando-se dos vícios e paixões.É por aplicá-la em referência a desarmonia em que se demora o homem, com a harmonia do Criador, que esta analogia tem a sua lógica e razão de ser. Quanto à desigualdade da Lei Divina, na distribuição dos valores, sejam eles de ordem moral, intelectual ou social, não existe. Falta-nos visão de conjunto, na interpretação em que nos demoramos quanto à aplicação dessa Lei.
Sola